Toxoplasmose leva a casos de cegueira

A cegueira pode ocorrer por diversas causas. No Brasil, existem mais de 1,2 milhão pessoas com perda total da visão. A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 60% das cegueiras são evitáveis. Isso significa que pelo menos 700 mil brasileiros ainda poderiam enxergar se os seus problemas de visão tivessem sido tratados precocemente.

Uma dessas causas evitáveis é a toxoplasmose ocular, bastante comum em nosso país. Doença infecciosa causada pelo protozoário toxoplasma gondii, pode causar infecção que afeta vários órgãos do corpo humano, como cérebro, músculos e coração, além de provocar problemas oculares graves.

O gato é o hospedeiro definitivo e os cistos com o protozoário são eliminados em suas fezes, que podem contaminar o solo, a água e os alimentos e ser posteriormente ingeridos pelos hospedeiros intermediários. Desse modo,  uma das principais formas de transmissão é pelo consumo de água contaminada e alimentos crus ou mal cozidos, como verduras, carnes vermelhas e peixes.

O contato com fezes de gatos ou caixas de areia onde eles fazem suas necessidades também pode expor o ser humano à infecção pelo parasita. Além disso, a infecção pode ser contraída pelo feto durante a gestação. Nesse caso, ela é chamada de congênita.

A maioria das pessoas que entra em contato com o parasita (toxoplasmose sistêmica) apresenta apenas sintomas inespecíficos, como dor de cabeça, dor muscular e febre, que podem durar algumas semanas, sem qualquer outro agravo à saúde.  No entanto, algumas pessoas  podem ter a infecção reativada e causar complicações mais sérias que o quadro inicial. Nesses casos, a reativação pode afetar diversos sistemas, como o cérebro, o coração e os olhos.

Quando esse micro-organismo afeta os olhos, o indivíduo pode apresentar:    visão turva ou embaçada, fotofobia (sensibilidade ocular à luz),  vermelhidão nos olhos, dor nos olhos, entre outros sintomas.

O diagnóstico de toxoplasmose ocular é feito pelo médico oftalmologista por meio de avaliação clínica dos sinais e sintomas, além de exames sorológicos complementares, como a dosagem das imunoglobulinas IgG e IgM para a toxoplasmose, bem como do exame de mapeamento de retina para avaliar a presença de lesões ou cicatrizes na retina.

O tratamento da toxoplasmose ocular é feito com o uso de antibióticos e corticoides e deve ser iniciado o mais rápido possível, evitando o agravamento do quadro e prevenindo as cicatrizes na retina geradas pelo avanço da inflamação. Até o momento, não é possível reverter as lesões e cicatrizes que já tiverem se instalado na retina do paciente.

O melhor a se fazer em relação à toxoplasmose ocular é prevenir a doença, a partir de cuidados simples como: cozinhar bem os alimentos, principalmente as carnes, lavar frutas, legumes e verduras antes do consumo,  evitar comer em locais onde não se pode confiar na higiene do preparo dos alimentos, não beber água que não seja tratada, lavar as mãos após brincar em tanques de areia e nunca levar as mãos sujas a boca.

Trata-se de uma doença que, se não diagnosticada e tratada precocemente, pode trazer consequências sérias e permanentes para a visão, assim como para outros sistemas do corpo humano. Por isso, vale a pena estar atento principalmente aos cuidados de prevenção e aos sintomas iniciais.

Espero ter orientado sobre o assunto.

Abraço,

Marcelo Creppe

Oftalmologista – CRM 82218-SP / RQE 41042 / CBO 104.343