Colesterol alto também pode afetar a visão

Colesterol alto não provoca sintomas, é uma doença silenciosa. A única maneira de saber os níveis de colesterol é através do exame de sangue, indicado pelo endocrinologista, que visa medir o perfil lipídico (colesterol com as frações e triglicerídeos) da pessoa, devendo ser realizado em crianças e adultos.

Sabemos que o colesterol é necessário ao organismo, pois é um tipo de gordura que faz parte da estrutura, e é essencial para o funcionamento das células do cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração. Também é importante para a formação de hormônios de vitamina D e até ácidos biliares, que ajudam na digestão das gorduras da alimentação. O problema é o excesso de colesterol ruim, que está associado a diversas doenças a partir do entupimento de veias e artérias.

O excesso de colesterol ocorre por fatores genéticos e alimentares. Cerca de 70% do colesterol no sangue vem do fígado e apenas 30% vêm da alimentação. Os níveis de colesterol no sangue dependem, portanto, principalmente da capacidade do fígado em removê-lo. Isso varia de pessoa para pessoa, independentemente do seu peso – inclusive, pessoas magras podem apresentar colesterol alto.

Em relação à visão, o colesterol alto pode gerar a formação de placas de gordura na corrente sanguínea, causando a obstrução a passagem do sangue para os tecidos oculares e para a retina.

O colesterol alto associado a doenças como diabetes e hipertensão arterial compromete bastante a qualidade da visão, muitas vezes ocasionando doenças retinianas (retinopatia associada à hipertensão arterial ou ao diabetes) e a possível oclusão de vasos da retina, com risco de perda visual severa e até mesmo irreversível.

Outra condição ocular associada ao colesterol é o acúmulo de cristais de colesterol no humor vítreo, conhecida como sínquises cintilantes, que o paciente enxerga como pontinhos passando à frente da visão.

O melhor a se fazer é adotar um adequado estilo de vida, praticar regularmente exercícios físicos e ter uma boa alimentação com dieta equilibrada, rica em fibras e pobre em gorduras. A consulta periódica com oftalmologista é outro procedimento preventivo importante.

Também gostaria de falar sobre o xantelasma, que é um tumor benigno da pele das pálpebras, que está associado a um distúrbio hereditário do metabolismo dos lipídios (gorduras). O tratamento tem por objetivo destruir ou fazer a ressecção das lesões. Pode ser por meio da aplicação de substâncias químicas, eletrocoagulação, laser ou remoção cirúrgica, dependendo de cada caso, mas ele pode reaparecer pois esses tratamentos não atuam na causa, mas somente no depósito existente de gordura na pele.

Espero ter ajudado!

Abraços,

Marcelo Creppe

Oftalmologista

CRM 82218-SP / RQE 41042 / CBO 104.343

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